pelo Sua Alteza o Aga Khan, Ottawa, Canada · 15 novembro 2017 · 3 min ler
Bismillah-ir-Rahman-ir-Rahim
A Muito Honorável Beverley McLachlin,
O Muito Honorável Joe Clark,
Excelências,
Amigos do Centro Global pelo Pluralismo,
Que grande prazer juntar-me a vocês nesta maravilhosa celebração.
As extraordinárias pessoas que homenageamos esta noite demonstraram todas elas a mesma qualidade inspiradora - a capacidade de responder criativamente aos desafios da diversidade. Ao mesmo tempo, porém, o que é igualmente impressionante esta noite é a diversidade nas histórias pessoais de cada um. Como devem ter reparado, os três galardoados com o Prémio de Pluralismo vêm de três continentes, e os nossos Vencedores Honorários vêm de outros sete países. Mas, mais do que isso, é a própria natureza do seu trabalho que se revela verdadeiramente multidimensional, como irão ver à medida que forem conhecendo as suas obras em maior detalhe.
Como já terão ouvido, estou atualmente a comemorar sessenta anos no cargo que herdei em 1957. Este cargo ensinou-me bastante acerca dos desafios do pluralismo - a forma como esses desafios podem ser enfrentados, mas também o modo como esses desafios têm vindo a crescer. Estes desafios não são novos, são tão antigos quanto a raça humana. Neles inclui-se a tentação humana de definir as nossas identidades pessoais por aquilo a que somos contrários - e não por aquilo que somos. Inclui-se a tentação de ver a diferença, sempre que esta surja, como algo que nos pode complicar a vida, e não como algo que nos pode enriquecer a vida. E inclui-se a reação por vezes instintiva de ver a diferença como uma ameaça a ser evitada, e não como uma oportunidade que deve ser abraçada.
Algumas pessoas cometem o erro de pensar que o pluralismo exige que elas diluam ou desacentuem as suas próprias identidades. Isso não é verdade. O que é necessário é garantir que a identidade individual de cada um é suficientemente forte para se envolver com confiança com outras identidades, neste caminho que fazemos juntos nesta estrada rumo a um mundo melhor.
E nesse caminho que fazemos juntos nessa estrada, o exemplo dado por outros pode ser uma poderosa fonte de inspiração - e é por isso que o Centro Global pelo Pluralismo criou estes prémios. O seu principal objetivo é partilhar o poder de exemplos inspiradores com uma Comunidade de Pluralismo cada vez mais vasta em todo o mundo, uma Comunidade que criará uma dinâmica crescente de inclusão - e não de exclusão - como uma forma de responder às mudanças do nosso mundo.
Em muitos aspetos, a criação destes Prémios segue o padrão do Prémio Aga Khan para a Arquitetura, estabelecido há várias décadas. O resultado final no processo dos Prémios é obviamente importante, mas o que é igualmente importante (tanto para a Arquitetura - como agora para o Pluralismo), é o processo de longo alcance que leva à seleção dos nossos Premiados. É um processo que envolve, ao longo de um período de dois anos, uma profusão - chegam, na verdade, às centenas - de indivíduos dedicados. Inclui aqueles que procuram candidatos qualificados, aqueles que exploram e investigam, e que depois refletem acerca da diferença que os compromissos pluralistas podem fazer em contextos específicos, em alturas específicas, em lugares específicos.
Uma coisa é falarmos sobre os princípios gerais e as teorias do pluralismo. Mas é bem mais emocionante observar, de perto, aquilo que o Pluralismo pode significar na prática.
Ao mencionar este processo, quero saudar todos aqueles que nele participaram - incluindo o Comité de Seleção, e o nosso Júri - liderado pelo ex-Primeiro-Ministro canadiano Joe Clark e que incluindo Sua Adoração Naheed Nenshi, a Advogada Bience Gawanas, o Dr. Dante Caputo e Madame Pascale Thumerelle.
Também estou profundamente satisfeito por ter esta noite a companhia da Muito Honorável Beverly McLachlin, Presidente do Supremo Tribunal de Justiça do Canadá. Lembro-me bem da sua revolucionária Palestra de Pluralismo em 2015, em Toronto, na qual ela nos recordou que viver em harmonia no meio da diversidade exige, e passo a citar, “uma grande generosidade de espírito e uma mente aberta".
São estas qualidades que caracterizam sem dúvida a própria Presidente do Supremo Tribunal de Justiça. A sua liderança do Supremo Tribunal irá ser sentida quando ela se retirar no final deste ano.
É uma honra poder expressar-lhe esta noite o nosso profundo agradecimento pelo seu poderoso exemplo, e peço que se juntem a mim para lhe darmos as boas-vindas a este palco.
Obrigado.